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26/01/2012 NESTLÉ DESEJA AS ÁGUAS DE CAXAMBU? Por Esther Lucio Bittencourt
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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012NESTLÉ DESEJA AS ÁGUAS DE CAXAMBU?
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Gilberto Rossi, Secretário Municipal de Meio Ambiente
Encontrei com Gilberto
Rossi, Secretário Municipal de Meio Ambiente,quanto tomava um café.
Lembrei-me então que tenho lido, insistentemente, no Facebook, notícias
de que uma equipe das Águas Minerais de Petrópolis esteve na cidadecom
interesse de assumir o Parque das Águas de Caxambu. Ora, as Águas
Minerais de Petrópolis pertencem à Nestlé, que tanto estrago causou na
cidade vizinha de São Lourenço, onde as fontes de lá secaram.
Aquece as especulações uma
fotografia do Governador de Minas Gerais, Antonio Anastasia, feita em
outubro de 2011, quando esteve na Suíça para acompanhar o anúncio do
calendário da Copa do Mundo de 2014, e visitou a sede mundial da Nestlé,
o que foi noticiado pela
Agência Minas. A foto, em questão foi divulgada no Flickr, pela
Imprensa do Governo do Estado
Foto do Governador Anastasia no Flickr.
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"A Nestlè representa hoje
uma das maiores empresas da área de alimentos do mundo e com forte
atuação em nosso Estado com diversas fábricas. Queremos que isso
aumente, especialmente na área do leite, através da agregação de valor,
ou seja, a transformação do leite in natura em alimentos e produtos já
processados." Entrevista do Governador de Minas, Antonio Anastasia,
quando da visita à Nestlé Suíça.
Resolvi aprofundar o
assunto, já que o atual prefeito encontrou o Parque das Águas desativado
pela antiga administração, precisou fazer licitação e que a única
empresa que se mostrou viável para explorar as águas de Caxambu foi a
COPASA, a Companhia de Saneamento do Estado de Minas Gerais. Teria
prejuízo? Claro, pois o equipamento que existia no Parque das Águas
estava deteriorado e era necessário adquirir outros.
O Secretário Municipal de
Meio Ambiente, Gilberto Rossi, explica:
“Existe um estudo que diz
o seguinte, você tem uma vazão espontânea X; é permitido a quem explora
as águas a remoção de mais ou menos onze mil litros hora. Destes 11 mil
litros hora, cerca de 25 mil litros são perdidos no envasamento do
produto, isto contando que iniciaremos a oferecê-lo em garrafas de
vidro, muito breve, com as pets o consumo é menor. Posso falar disto com
propriedade, eu Gilberto Rossi, não o Secretário de Meio Ambiente , pois
fui contratado pelas Águas Minerais para fazer este trabalho e eu não
fazia parte da Prefeitura de Caxambu. Claro que esta sangria dos 25 mil
litros precisamos estancar. E isto já está em estudo.
As fontes são monitoradas
por um hidrômetro e a fiscalização é feita pela Receita Federal e pelo
Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM). Eles chegam em Caxambu
sem avisar, pegam os relatórios, vão direto às fontes de água e analisam
o que está acontecendo em cada fonte, para preservar a integridade
ambiental”, explicou.
Rossi telefonou para a
Codemig, Companhia de Desenvolvimento Econômico do Estado de Minas
Gerais, a quem o Parque das Águas de Caxambu está submetido, e me disse
“que a Diretoria da Codemig informou não ter sido informada de nenhuma
visita neste sentido e que as águas Minerais de Petrópolis não estiveram
oficialmente em Caxambu, visitando o Parque das Águas visando uma futura
exploração destas águas.“
E continuou: “Em 2006,
houve licitação para exploração das águas de Caxambu e as Águas Minerais
de Petrópolis dela não participou. Cinquenta empresas vieram visitar o
Parque das Águas, examinaram o edital e viram que a vazão espontânea
teria de ser respeitada, e disto a CODEMIG não abre mão,- já fiz parte
do corpo técnico da CODEMIG, e não se interessaram."
De
volta ao passado
"Vamos voltar ao passado",
disse o Secretário: "todo o maquinário antigo foi substituído por um
moderno. Antigamente eram necessários 96 funcionários para fazer
funcionar a fábrica, hoje, somente 24, contando com os carregadores,
para funcionar a linha de envasamento se não me engano são 8
funcionários, dado a eficiência do equipamento adquirido pela COPASA.
Agora, vamos comparar a
Superágua, que detinha a concessão para exploração, no passado. Devido
aos anos de experiência ela tinha capacidade de carregar 40 caminhões
dia, o que corresponde, mais ou menos, a cem mil fardos dia; e hoje, a
Copasa está envasando 50 mil fardos por mês, mas sei que iremos alcançar
o volume próximo do máximo permitido pelo DNPM-Departamento Nacional de
Produção Mineral- para exploração. Hoje estamos com menos da metade da
produção de um dia da Superágua. Por quê? Primeiro a produção destas
águas ficou paralisada por um período muito grande, quando a Superágua,
cujo contrato já havia terminado há muito tempo, mantinha seu negócio
através de liminares judiciais que impetrava todos os meses.
Devido a incerteza que a
cercava, o município não fazia licitação para exploração das águas, não
renovava seu contrato, - uma das licitações feitas, da qual participou
apenas uma empresa, o governador do Estado de Minas Gerais de então,
Itamar Franco, rasgou o contrato que foi feito com a empresa que ganhou
a licitação dizendo que licitação com somente uma empresa não valia,
rasgou aqui em Caxambu, no Hotel Glória - devido a todas estas
incertezas a Superágua não investiu nem em marketing nem em
equipamentos, porque não sabia se poderia continuar com os produtos
dela”, disse.
“É comum o questionamento
sobre o fato de que funcionários que trabalham na empresa da águas de
Caxambu não são da cidade. Serão a partir do momento em que passarem nos
concursos públicos que fazemos para este fim. Claro que é interesse da
Prefeitura empregar o maior número de caxambuenses possível. Acontece
que é necessário que as pessoas estudem e estejam aptas para o trabalho
com equipamentos modernos. A COPASA não tem controle sobre isto, o
interesse dela é manter as águas em sua normalidade e, caso seja feita
uma extração além do limite, em dois meses o DMPM descobre”, acrescenta
Rossi.
“A COPASA ainda não
conhecia o potencial do mercado para as águas minerais, portanto a
experiência vem sendo adquirida com a vivência da exploração e
distribuição, que hoje já atingiu o Estado do Rio e Minas Gerais, além
de alguns pontos em São Paulo, isto com a entrada de Eduardo Raso e o
enquadramento do Sr. Gilson Muniz à frente das decisões de exploração e
venda de nossas águas.
Ele o Gilson conhecedores
de toda administração e da carteira de clientes da Superágua, pode
retomar as vendas pois fez parte do corpo de funcionários da antiga
empresa e saberá retomar todos os possíveis clientes “bons” e eliminar
aqueles que “maus” que mancham a carta de cliente de uma empresa,
tornando assim mais ágil a evolução da empresa na área de vendas.
Eles iniciaram agora a
produção das Águas de Cambuquira: são mais ou menos 2500 dois mil e
quinhentos litros por hora, e estão terminando a fábrica de Lambari que
terá mais ou menos 5000 litros hora.
Qual a empresa que
viabilizaria isto de modo a ter lucro no empreendimento? Quanto custaria
uma garrafa de água mineral? As industrias precisam de volume para terem
sua lucratividade. Quem largaria fontes de grande vazões permitidas,
para vir para cá e explorar apenas 11 mil litros hora em Caxambu , mil e
quinhentos litros hora em Cambuquira, 5000 em Lambari e mais Araxá todas
não fazem parte do contrato de concessão? Pois a Codemig não entregaria
somente a água Caxambu e sim todas as outras fontes juntas, se fosse
esse o caso, é o raciocínio lógico, penso eu.
Você pega as águas de São
Bento, em Boca da Mata, a 60 km de Maceió, cuja escavação foi usada para
captação de petróleo. Ele não foi encontrado, mas sim as águas termais,
águas minerais carbogasosas, com vazão de 150 mil litros por hora numa
fonte, duzentos e oitenta litros por hora em outra fonte. Aí existe
volume de água que justifique a uma grande empresa sua exploração.
Petrópolis tem mais vazão,
muito mais do que Caxambu. São Lourenço, tem mais vazão, e para a Nestlé
que é dona da água Perrier, da de São Lourenço, das Águas Petrópolis,
que é uma empresa grande que distribui água para o país e o mundo
inteiro, não interessa ter o nome Caxambu. Comercialmente ela já tem o
nome São Lourenço espalhado no país e no mundo inteiro, portanto ela não
tem interesse, não quer fazer nada aqui”, ressaltou o Secretário do Meio
Ambiente.
"Creio eu que pede ter
havido um distribuidor querendo fornecer nossa água em PETROPOLIS isso
sim, pois tenho certeza que a competência do Sr. Gilson Muniz é para
isso. Disse Gilberto."
Bem, uma conversa leva a
outra e o assunto ficou extenso, por isto continuará a ser abordado
amanhã. Haja água para rolar embaixo desta ponte!
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