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É noite!
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Fontes murmuram
suplicantes! Não se calam nunca na esperança de serem
ouvidos seus clamores. Choram lágrimas aos borbotões por não
servirem ao seu propósito maior: A CURA.
Servem somente de
lenitivo à sede, sabendo que serviriam para alívio da dor!
O farfalhar das folhas
na mata, fazem coro ao seu lamentar; é a natureza que num
brado solitário e notívago conspira sozinha.
Energias fortes se
levantam como que impelidos pelo apelo ecológico. Somos
todos parte de um mesmo sistema vital!
Espíritos esclarecidos
respondem, escutam o murmúrio de cada gota exaurida e
inutilizada, sensibilizam-se com o apelo de espécies raras,
que na mata ,como parte de um clã hierárquico centenário,
avisam,alertam e conspiram.
Nutridos de forças
espirituais cósmicas, saem pela cidade conclamando seus
moradores, que deitados eternamente em berço esplêndido, se
recusam a escutar o brado da mãe gentil terra.
E assim, sussurrando
na noite, em todos os lares, praças e recantos, segue o
séqüito implacável e incansável de espíritos, conclamando as
consciências adormecidas.
Poucos escutam. Esses
se levantam, trôpegos, sem saber ao certo qual o caminho a
seguir, e que chamado é este tão silencioso e forte, que
merece e precisa ser ouvido.
E seguem.... Por
próprio nível de consciência, na mesma direção,vindos das
mais diversas localidades, com os mais diferentes
referenciais terrenos, seguem para o mesmo lugar.
O choro ininterrupto
os chama, vindo das profundezas da terra, e, como um
exército silente, mas forte, imbatível, caminham a passos
fortes, não mais como zumbis perdidos em meio à noite, mas
sim como espíritos de luz, parte integrante de um mesmo
propósito....
Chorai fontes... Chorai....
Marilia
Noronha |